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Season finale de DEXTER é inacreditável

Pense num momento que te deixou arrepiado. Um momento que ficou guardado na mente e que dificilmente vai sair dela. Se você é um seriadomaníaco, certamente vai se lembrar de vários momentos assim. O final de Friends, a morte de Marissa, a revelação da paralisia de Locke, a confissão dos pecados de Vic Mackey… Enfim, cada um vai ter alguma cena que teima em não sair da memória. No meu caso, hoje eu vi uma cena que NUNCA vai sair da minha mente. Os pelos do braço se eriçaram. A boca abriu e demorou a fechar. Na cabeça uma frase se repetia: “Não acredito”. Se a qualidade de uma série pode se definir pela ousadia de seus roteiristas, Dexter atingiu o seu auge com The Getaway (episódio 12, season 4).

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Como já tinha falado anteriormente, essa 4° temporada começou fraca e embalou no final. Mas em nenhum momento, nem nas mais malucas suposições, eu iria imaginar uma season finale como essa. Não bastasse o incomparável talento de Michael C. Hall (se ele não ganhar o Golden Globe esse ano vai ser constrangedor) e a presença assustadora de John Lithgow, tudo conspirou para que essa temporada fosse, sem dúvida, a melhor da série até hoje.

É impressionante ver, depois do último episódio, que tudo estava amarradinho desde o início. Nem o maior espírito de porco vai conseguir achar um furo no roteiro. Todos os conflitos de Dexter, todas as intervenções de Harry, todas as aparições de Rita, TUDO, se resume e se completa numa única cena, numa demonstração de genialidade dos criadores da série. As temporadas anteriores - principalmente a primeira - são resgatadas, para o deleite dos fãs que acompanham a série desde o início.

O desfecho do arco principal foi previsível, numa brincadeira de mau gosto dos roteiristas. Fomos levados a acreditar que uma temporada cheia de emoções fortíssimas iria acabar de um modo completamente trivial (para os padrões dexterianos, lógico). “Ok, ele enfim matou o Trinity. Agora ele volta pra casa e segue sua vida feliz com a esposa e os filhos”, pensamos. Mas os dois minutos finais, com sua construção magnífica, numa combinação de atuação, direção e montagem simplesmente perfeitas, são como um tapa na cara.

Me chamem de preguiçoso por não falar mais nada a partir daqui, mas seria um sacrilégio tentar descrever a cena que eu mencionei lá no início do post (mais exatamente aos 51 minutos do episódio). Assistam ao episódio. Aliás, assistam à série inteira. Para quem nunca viu, faça uma maratona. Fique com a trajetória de Dexter fresquinha na cabeça. Todas as temporadas. Depois volta aqui, arrepiado, com a boca aberta e aquela frase martelando na cabeça: “Não acredito!”

Publicado também no Fora de Série